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Cristiano Ronaldo está mais do que habituado a bater recordes. O capitão da selecção nacional será o jogador de campo mais velho neste Campeonato do Mundo de futebol, caso seja titular, hoje, na estreia de Portugal, em frente à República Democrática do Congo.
De resto, nunca nenhum Campeonato do Mundo teve tantos jogadores com mais de 40 anos. Serão oito os futebolistas quarentões, mais um do que em todos os últimos 22 torneios.
Aparentemente, há duas explicações para isso: o número recorde de eleições presentes (48) e a evolução da medicina (lesões que antes eram fatais, hoje são superadas).
CR7, de 41 anos, Guillermo Ochoa, guarda-redes mexicano, de 40 anos, e Lionel Messi, que completa 39 anos este mês, jogam o seu sexto mundial, sendo que o internacional português marcou em todos eles. E vai marcar neste? Eis a questão?
Jonathan Wilson, jornalista inglês de Desporto, autor de vários livros, escreveu no jornal The Guardian que a presença de Cristiano Ronaldo no Campeonato do Mundo de futebol é mais uma maldição do que uma bênção para a selecção nacional.
Wilson diz que CR7 nem “sequer é o jogador em que se tornou depois de deixar de ser o jogador que era”. Exagero?
Vamos ouvir o que pensa sobre isso o convidado deste episódio, Nuno Sousa, editor-executivo e editor de Desporto do PÚBLICO.
EUA e Irão alcançaram um memorando de entendimento para um cessar-fogo, no domingo, que deverá ser assinado esta sexta-feira, em Genebra. Donald Trump foi o primeiro a anunciar o acordo e a abertura do estreito de Ormuz: “Navios de todo o mundo, liguem os vossos motores! Deixem o petróleo fluir”, disse o presidente dos EUA.
Uma agência iraniana revelou que o cessar-fogo será permanente e imediato, incluindo no Líbano, que o bloqueio naval dos EUA terminará e que o país vai reaver os 21 mil milhões de euros em activos que foram congelados. Mas os detalhes ainda não são conhecidos, nomeadamente sobre o alívio de sanções económicas contra o Irão, a limitação do programa iraniano e a ocupação do Líbano.
Para Israel, o acordo é entre os EUA e o Irão. O ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, diz que “Israel não é subordinado dos EUA” e o ministro da Defesa, Israel Katz, acrescenta que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu são contra a retirada das tropas israelitas do Líbano.
Trump manifestou o desagrado pelo facto de Israel ter bombardeado Beirute no domingo e criticou Netanyahu. A relação entre ambos pode estar comprometida, caso o segundo queira sabotar o entendimento com o Irão?
É isso que vamos perguntar a Joana Ricarte, especialista em Médio Oriente e professora de relações internacionais na Universidade do Porto.
Os dados estão lançados. Dentro de 24 dias, 166 mil alunos portugueses do ensino secundário começam o carrossel de exames nacionais que para muitos serão cruciais para prosseguirem os seus sonhos ou expectativas. Ao todo, até ao final da primeira fase dos exames, a 26 de Junho, estes milhares de jovens com uma média de idade de 17 anos e dois meses farão mais de 340 mil provas. Por estes dias, é fácil imaginar o que está em causa: milhares de professores mobilizados, dezenas de milhar de famílias ansiosas, centena e meia de milhar de jovens a sentir-se no fio da navalha.
Ainda para mais, este ano em que todos os exames serão feitos digitalmente ou, quando não são, terão de ser digitalizados. Um grande passo em frente, uma operação logística que mobiliza mais de cinco mil agentes, dos quais 1172 credenciados para recolher os exames e levá-los aos centros de digitalização cuja localização se desconhece. A mudança é, ainda assim, notável.
São sem dúvida momentos difíceis para os jovens, mas a verdade é que ainda não se descobriu uma fórmula para abolir os exames. Se forem padronizados, instigam a memorização e não o pensamento crítico; se forem abertos à inteligência, improviso e criatividade dos jovens e, por isso, mais ajustados às exigências de um mundo com inteligência artificial tornam-se imprevisíveis e odiados por alunos e pais. E pronto, assim lá se vai continuando com o arraial que todos os anos por esta altura do ano marca o quotidiano do país e, em especial, o dos pais e dos alunos.
Andreia Sanches, redactora principal do PÚBLICO, acompanha há anos este processo, até porque é uma reputada especialista na área da educação. Na semana passada, na newsletter sobre educação do jornal, escreveu um texto imperdível com o título “A febre dos exames”. E na edição de hoje do PÚBLICO faz um levantamento exaustivo sobre o que está em causa nesta primeira fase dos exames. É com ela que se fará a conversa do seu podcast da manhã de hoje.
O Governo está aflito com o cumprimento das regras acordadas com Bruxelas para receber 500 milhões de euros do PRR. E pediu uma autorização legislativa com urgência para cumprir a promessa a que se tinha obrigado: a criação da Prestação Social Única que irá substituir 13 apoios sociais em vigor. Caiu o Carmo e a Trindade.
O PS diz que prestação única tudo bem, mas nem pensar em aprovar esta prestação proposta pelo Governo. Para os outros partidos da esquerda, o que está em causa lembra a ofensiva contra os direitos sociais dos dias tenebrosos da troika. Mas há quem, como o Chega ache pouco: quem recebe apoios do Estado tem de os pagar com trabalho.
Afinal, o que causa tanto alarido na proposta que o Governo leva hoje à aprovação da Assembleia? Bom, há a forma como o Governo conduziu este processo, apresentando medidas sem dizer quanto é que custam – ou, de outra forma, quanto é que os destinatários das ajudas vão receber. Mas o que divide a oposição do Governo e a esquerda da direita tem um nome: trabalho social.
O Governo quer que os destinatários dos apoios sociais que reúnam determinadas condições (não sejam reformados ou estejam a estudar, por exemplo) possam trabalhar 15 horas por semana em serviços públicos ou em actividades públicas. O Governo diz ainda que em causa têm de estar trabalhos conformes aos perfis das pessoas que recebem ajudas, o que dá para todas as interpretações.
Ainda assim, o debate em cima da mesa é altamente divisivo: com esta medida está-se a tirar a dignidade das pessoas que, por variadíssimas razões, precisam dos apoios sociais? Ou, pelo contrário, ao exigir que devolvam à comunidade em trabalho social o que a comunidade lhes concede em apoios, está-se a retirá-los da condição de esmoleres que alimenta os anátemas da extrema-direita? E pelo caminho, outra questão essencial: que caminhos existem nas políticas públicas para integrar no mercado de trabalho pessoas em situação de dependência financeira?
Tema para uma conversa com Ana Paula Pereira Marques, professora e investigadora na Universidade Minho, com obra publicada na área da sociologia do Trabalho.
Se há dias em que o planeta parece desacelerar para olhar fixamente para uma bola, hoje é um deles. Daqui a poucas horas, quando forem 20h em Lisboa, no imponente e também histórico Estádio Azteca, na Cidade do México, vai ser dado o pontapé de saída no jogo entre a selecção mexicana e a da África do Sul.
Está aí mais um Campeonato do Mundo de Futebol, mas este não é um torneio qualquer: é o maior, o mais extenso e, provavelmente, o mais ambicioso de que há memória. São 48 selecções que jogam em três países organizadores: Estados Unidos, México e Canadá. No total, são 104 jogos que vão desenhar a rota do título até meados de Julho.
Para já, uma das principais surpresas que vamos sentir aqui em Portugal: apenas 20 destes 104 jogos vão dar em sinal aberto na televisão generalista (RTP1, SIC e TVI). Depois há ainda 34 jogos que vão passar no YouTube da Live Mode TV, que chega a Portugal este ano. Os restantes jogos passam em exclusivo na Sport TV.
Na expectativa de ver até onde pode chegar a selecção portuguesa comandada por Roberto Martínez, neste P24 conversamos com o enviado especial do PÚBLICO ao Mundial de 2026, Diogo Cardoso Oliveira.
O Hezbollah atacou o Norte de Israel e Israel atacou a periferia a sul de Beirute, apesar dos avisos de Donald Trump para que não o fizesse. O Irão lançou mísseis sobre uma base aérea e o centro de pesquisa nuclear israelita. E Israel retaliou.
Há dois meses que Irão e Israel não se atacavam mutuamente. O primeiro anunciou a suspensão dos bombardeamentos e avisou que voltaria atrás se o segundo atacasse ou fizesse o mesmo no Sul do Líbano. Israel prometeu retaliar caso fosse atacado.
Donald Trump, por seu lado, continua a prometer que um acordo final para pôr fim à guerra está próximo. Mas nenhuma das suas promessas se tem concretizado.
Benjamin Netanyahu procura autonomia face a Trump. A sua recusa em não atender o desejo de Trump e a revelação de que os israelitas estão a espionar os norte-americanos em negociações com Teerão vão ter consequências diplomáticas entre os dois países?
Pedro Ponte e Sousa, professor de Relações Internacionais da Universidade Portucalense e investigador do IPRI, considera que não. O nosso convidado de hoje defende que os EUA estão a perder poder e influência na região e que os países do Golfo “vão ter de encontrar” uma forma de “reduzir as tensões” com o Irão.
O que fazer quando a inteligência artificial se desenvolve a um ritmo assustador? Jack Clark, o co-fundador da Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial, apela a uma pausa no desenvolvimento destes sistemas.
Porquê? Porque está a aproximar-se do ponto em que se pode desenvolver de modo autónomo, portanto, sem participação humana, construindo versões mais avançadas de si mesma.
O chatbot Claude, da Anthropic, já opera com um código no qual 80% foi escrito pelo próprio sistema. Chegar a 100% é possível em dois anos.
Clark usa uma imagem esclarecedora: é como se a indústria da IA tivesse um pedal do acelerador e não tivesse um pedal de travão.
O Papa Leão XIV também sugeriu abrandamento, menos concorrência e mais envolvimento político no controlo da AI. Porquê? Porque espalha desinformação, privilegia o conflito e aumenta a probabilidade de uma sucessão de guerras sem fim.
Na sua encíclica Magnifica Humanitas (Humanidade Magnífica), o papa pediu aos líderes mundiais que os dados da inteligência artificial não ficassem apenas na posse de privados e que os decisores políticos protegessem os direitos dos trabalhadores.
Sérgio Magno, editor do Enter e autor do podcast Plug-in, sobre mobilidade eléctrica, é o convidado de hoje.
Fundir vários apoios, como o Rendimento Social de Inserção ou o Complemento Solidário para Idosos, numa única resposta do Estado. À primeira vista, a Prestação Social Única surge como uma promessa de simplificação e clareza burocrática.
No entanto, por trás da intenção de tornar o sistema mais eficiente, levantam-se questões críticas: está o Estado a ignorar as especificidades de quem mais precisa ao tratar todas as carências da mesma forma?
Mais do que uma mudança administrativa, o novo modelo traz de volta o debate sobre a obrigatoriedade de prestação de trabalho social por parte dos beneficiários.
Para a minha convidada de hoje, esta medida representa um "retrocesso significativo" na concepção de inserção social, ao associar o apoio a um trabalho não remunerado que penaliza quem já se encontra em situação de vulnerabilidade.
Para já, ainda não sabemos o valor desta nova prestação social.
Num país onde o fenómeno dos "trabalhadores pobres" é uma realidade expressiva, será que o foco na fraude está a desviar o olhar do que realmente importa: o facto de estas prestações, como o RSI, conseguirem apenas diminuir a severidade da pobreza sem nunca retirar as pessoas dela?
Ouvimos neste P24 a bastonária da Ordem dos Assistentes Sociais, Fernanda Rodrigues.
Metros fechados, comboios suprimidos, escolas e hospitais condicionados. A greve geral desta quarta-feira já se faz sentir. Neste P24 olhamos para a paralisação que, desta vez, não conta com a UGT.
Mas porquê uma greve quando a reforma laboral parece não ter alternativa se não ser claramente chumbada na Assembleia da República, já que o PS não a vai aprovar e o Chega quer baixar a idade da reforma para o fazer?
Neste P24, ouvimos o antigo secretário-geral da CGTP Arménio Carlos, líder desta central sindical entre 2012 e 2020.
O hantavírus foi responsável por três mortes misteriosas a bordo de um cruzeiro e o ressurgimento do ébola já causou cerca de 220 mortes na República Democrática do Congo.
O hantavírus pode causar doenças graves e a morte, mas não é, particularmente, contagioso e tende a desaparecer. Não é o caso do ébola. O vírus está mais concentrado no Congo, mas já se estendeu ao Uganda.
Os corpos infectados são muito contagiosos e as autoridades congolesas proibiram velórios e funerais com mais de 50 pessoas na zona afectada pela epidemia, numa tentativa de conter a propagação da doença.
Já assistimos a esta história 17 vezes no Congo. Os surtos são inevitáveis. A recente Assembleia Mundial da Saúde confrontou-se com o paradoxo: o mundo aprendeu com a Covid-19 a lidar com pandemias, mas a cooperação internacional nesta matéria tornou-se mais frágil.
A administração de Donald Trump saiu da OMS e encerrou de supetão a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional. Com esta decisão, perdeu-se a grande maioria da ajuda externa que era aplicada na resolução de problemas da saúde global, como é o caso do ébola.
Os vírus não respeitam fronteiras e a cooperação entre países continua a ser crucial para a saúde global. O mundo está preparado para combater a possibilidade de uma nova epidemia? Um recente relatório da OMS diz que o mundo está menos seguro.
É sobre isto que vamos falar com Tiago Ramalho, jornalista da secção de Ciências do PÚBLICO.
Na semana passada, a jornalista Clarissa Ward, correspondente internacional da CNN, publicou um vídeo, na sua conta do Instagram, onde filma e descreve as longas filas de espera, para atravessar o controlo de passaportes, no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.
A jornalista descreve um cenário de caos e diz ter presenciado muitas pessoas a perderem os seus voos de ligação, como aconteceu à própria.
Os aeroportos portugueses têm sofrido vários constrangimentos no controlo de passaportes desde a introdução do novo sistema de entrada e saída das fronteiras da União Europeia. Porque é que isso acontece?
A Comissão Europeia diz que os atrasos e as longas filas de espera são um problema português. O Governo contra-argumenta que a responsabilidade é europeia.
O Governo reconhece que as coisas não estão a funcionar bem e o ministro das Infra-estruturas, Miguel Pinto Luz, pediu desculpa pela situação, que disse ser “um embaraço” para o país.
E o ministro da Administração Interna anunciou, na sexta-feira, mais meios humanos e o alargamento da zona de fronteira em Lisboa.
Mas, afinal, o que é que está na origem deste problema? É esse o pretexto para falarmos com Pedro Castro, consultor em estratégia comercial para a aviação e professor em Sistema de Transportes no Instituto Superior de Lisboa e Vale do Tejo.
Três meses depois do início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irão, continuamos sem saber quando e como é que que este conflito irá acabar. Três meses depois, o estreito de Ormuz continua fechado, os EUA não dispersaram os seus meios militares concentrados na região e o regime iraniano mantém-se de pedra e cal.
Nesta semana, os EUA bombardearam barcos e plataformas de lançamento iranianas no estreito de Ormuz, com o argumento da “auto-defesa”. E os Guardas da Revolução do Irão dizem ter atingido uma base aérea dos EUA na madrugada de ontem.
A escalada das hostilidades comprova a fragilidade do cessar-fogo entre os EUA e o Irão, que entrou em vigor no início de Abril, e vai protelando um eventual acordo de paz. Como seria de prever, os preços do petróleo também dispararam.
Enquanto EUA e Irão avançam e recuam nas negociações, Israel continua a bombardear o Sul do Líbano, numa troca de ataques com o Hezbollah, e a pretender ocupar mais território.
Até que ponto a guerra do Líbano poderá complicar os esforços de paz entre EUA e Irão?
Manuel Serrano, especialista em relações internacionais, é o convidado deste episódio.
O ex-presidente do Governo espanhol, José Luis Zapatero, é suspeito de tráfico de influências e está a ser alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro. Zapatero, que vai prestar depoimento terça-feira, recebeu o apoio do actual presidente do Governo, Pedro Sánchez, mas os aliados do PSOE no Governo distanciaram-se.
O PSOE tem estado envolvido em vários suspeitas de corrupção, como nos casos Cérdan e Koldo. Como se isto não bastasse, a mulher de Pedro Sanchez presta declarações, no dia 9, numa audiência sobre supostos crimes de tráfico de influências e corrupção.
O líder do PP e da oposição, Alberto Núñez Feijóo, pediu a demissão de Sánchez e o ex-presidente do Governo, Felipe González, e ex-líder do PSOE, o partido de Sánchez, pediu eleições antecipadas.
Xosé Hermida, correspondente parlamentar do El Pais, considera que Zapatero era encarado “como uma figura ética na esquerda” e que quem vai lucrar mais com as suspeitas de corrupção será o Vox.
Ex-delegado daquele jornal no Brasil, Hermida sublinha a contradição entre a boa imagem externa de Sánchez e a má imagem interna; entre os indicadores positivos e as percepções mais negativas. Xosé Hermida é o convidado deste episódio.
Se trocou o seu antigo automóvel por um carro eléctrico, durante o ano de 2025, vai poder candidatar-se ao programa de incentivos à compra de viaturas eléctricas. Habitualmente, o programa só abrangia compras feitas no próprio ano.
Desta vez, o Governo vai autorizar que o Fundo Ambiental avalie candidaturas do ano passado, dando uma segunda oportunidade a quem trocou de carro a combustíveis fósseis por um eléctrico e não foi, então, abrangido pelo programa.
A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, adianta que as regras são as mesmas e que o apoio de 20 milhões de euros vai ser pago em duas parcelas, porque metade dessa verba vai ficar guardada para o caso da crise energética se agudizar.
Um particular pode receber quatro mil euros na compra de um eléctrico novo, que não exceda os 38.500 euros, mas em troca terá também de comprovar que abateu uma viatura com motor de combustão interna (diesel ou gasolina) e mais de dez anos de vida. O programa deverá ter início a 11 de Junho.
Víctor Ferreira, jornalista da secção de Economia do PÚBLICO, convidado deste episódio, explica as diferenças entre o processo de transição entre os particulares e as empresas.
Benito Antonio Martínez Ocasio, mais conhecido como Bad Bunny, é a estrela global da música actual. O porto-riquenho, de 32 anos, transformou o hip hop ou o trap, um dos seus sub-géneros, com as suas canções em castelhano e uma forte componente política.
Bad Bunny é uma figura sui generis na música e na América de hoje. A sua actuação no intervalo do Super Bowl de 2025, para irritação de Donald Trump, que criticou a sua prestação e o facto de se expressar em castelhano, é prova disso.
Depois de vários concertos em Barcelona e Madrid, tendo vendido seiscentos mil bilhetes em Espanha, Bad Bunny chega a Portugal, para duas actuações esgotadas, no Estádio de Luz, hoje e amanhã.
Bunny já leva sete discos gravados e o último deles, Debí tirar más fotos, sintetiza o som do passado e do presente de Porto Rico num álbum emblemático e intergeracional, como diz a Pitchfork.
O artista actualiza a música porto-riquenha, nomeadamente a bomba, uma antiga tradição rítmica e de dança da ilha, criada há mais de 400 anos por pessoas escravizadas de origem africana, ou o boogaloo, fusão de ritmos afro-cubanos e música urbana e americana, nascida em Nova Iorque, mas popularizada em Porto Rico.
Para percebermos o fenómeno Bad Bunny, convidamos o crítico musical do PÚBLICO, Mário Lopes, que assina na edição de hoje um artigo de antecipação dos concertos de estreia do músico em Portugal.
O anteprojecto do pacote laboral, na sua versão inicial, não incluía qualquer referência a algoritmos ou à inteligência artificial (IA). Contudo, na proposta de lei enviada ao Parlamento, o Governo introduziu mudanças que regulam o uso destas ferramentas digitais na gestão dos trabalhadores.
Entre elas, por sugestão da UGT, destaca-se a obrigação de garantir intervenção humana nas decisões que afectem os trabalhadores e a possibilidade de estes reclamarem e recorrerem de decisões tomadas exclusivamente por algoritmos ou sistemas de IA no recrutamento, progressão na carreira ou despedimento.
O empregador deve validar, alterar ou revogar decisões automatizadas. As empresas passam também a ter de guardar, durante cinco anos, dados sobre o uso de IA no recrutamento.
Outra novidade é o direito dos trabalhadores a contestar decisões baseadas exclusivamente em algoritmos. Estes podem reclamar de uma decisão no prazo de 30 dias, devendo o empregador responder por escrito.
José Moreira, professor de Direito Digital, na Universidade Portucalense, é o convidado deste episódio.
Há oito meses, o primeiro ministro Luís Montenegro anunciou ao país um conjunto de medidas para mitigar os impactes da mais grave crise estrutural do país: a da habitação. Passado este tempo, as boas intenções de Montenegro foram duramente contestadas pela realidade. No quarto trimestre de 2025, o preço das casas disparou 17%, fazendo com que o metro quadrado em Lisboa se aproximasse dos 5200 euros.
O valor mediano das casas vendidas em Portugal fixou-se em 2076 euros por metro quadrado no conjunto de 2025, o preço mais alto já registado pelo INE.
Ainda assim, venderam-se quase 170 mil casas no conjunto do ano de 2025, um aumento de 8,6% em relação ao ano anterior. O preço médio por cada casa ou fracção atingiu um novo valor recorde, acima dos 250 mil euros.
Como seria de esperar, o volume de crédito à habitação concedido pelos bancos em Portugal registou um crescimento enorme: Em 2025, as instituições de crédito emprestaram 23,3 mil milhões de euros destinado à habitação. Mais um máximo histórico correspondente a mais 5,9 mil milhões de crédito concedido face a 2024, em grande medida impulsionado pelo segmento jovem (até 35 anos), que beneficiou de medidas estatais como a isenção de IMT e Imposto de Selo e a garantia pública que pode chegar aos 15% do empréstimo concedido.
Perante uma tendência que parece imparável e a prudência que os riscos da situação internacional reclama, em especial a evolução das taxas de juro, o Banco de Portugal decidiu que era a hora de pôr água fria na fervura de um mercado acelerado. Em curso está uma consulta aos bancos sobre a redução da taxa de esforço das famílias no pagamento das prestações de 50 para 45% - ou seja, os encargos com os empréstimos não podem ficar acima de 45% do rendimento dos seus titulares. Ao mesmo tempo, o supervisor do sistema financeiro olha com preocupação para os prazos de pagamento, que podem chegar aos 40 anos, e pede ponderação sobre a sua duração.
Quererá isto dizer que chegou a hora de olhar com especial cuidado para a situação de um mercado que não para de acelerar? Terão estas medidas, se aprovadas, efeitos na baixa dos preços das casas? Haverá uma inversão na tendência a curto prazo? Estarão os bancos alerta para os riscos, ou preferirão manter o ritmo de um negócio que os ajuda a apresentar sucessivos lucros recorde?
Temas para a conversa com Pedro Esteves, jornalista e editor de Economia do PÚBLICO.
Algo mudou na guerra da Ucrânia. Nos dias que antecederam o desfile anual do Dia da Vitória, as autoridades russas recearam que a Ucrânia pudesse atingir a Praça Vermelha com drones. O presidente Volodymyr Zelensky declarou, ironicamente, que autorizava o desfile e comprometeu-se a não atacar.
Vladimir Putin está sob pressão de uma forma que nunca esteve antes, ao mesmo tempo que a Ucrânia, habituada a pedir ajuda ao mundo, subitamente tem outros países a pedir-lhe ajuda.
A Rússia tem atacado a Ucrânia de forma mortífera, mas tem sofrido ataques na região de Moscovo e às infra-estruturas de combustível e de gás. O presidente russo tem agora de se preocupar não apenas com a linha da frente na Ucrânia, mas também com a frente interna.
A Rússia perdeu território ucraniano e os ganhos limitados que obteve tiveram um custo elevado: 352 mil soldados terão morrido nesta guerra até ao final do ano passado, seis vezes mais do que o número de soldados dos EUA mortos no Vietname.
Vladimir Putin chegou a Pequim uns dias depois de Donald Trump. Que importância pode ter esta visita para Putin, a 25.ª desde que está no poder, no actual momento da guerra na Ucrânia? Com Trump distraído com Ormuz, é possível falar de paz?
Francisco Pereira Coutinho, professor na Nova School of Law, e autor de Guerra, Mentiras e Direito Internacional – 46 questões sobre a agressão russa à Ucrânia, é o convidado deste episódio.
Roberto Martínez anunciou ontem os 27 jogadores da selecção portuguesa que vai disputar o Mundial de Futebol no Canadá, México e EUA. A lista de convocados do seleccionador português não é surpreendente, mas a verdade é que qualquer escolha que fizesse seria alvo de discussão.
Foi isso que Martínez fez na conferência de imprensa de ontem: detalhar os motivos que o levaram a escolher Gonçalo Guedes e não Paulinho, a escolher Samu Costa no lugar de João Palhinha e porque é que Ricardo Horta, Rodrigo Mora ou Pedro Gonçalves ficaram de fora.
O Mundial de Futebol começa já a 11 de Junho, no estádio Azteca, na cidade do México, e termina a 19 de Julho.
Martínez afasta qualquer favoritismo e acrescenta que só uma selecção que ganhou um Mundial pode ser favorita. No fundo, Portugal pode ser um candidato, mas não um favorito. Sobre o seu futuro, diz estar alinhado com a federação de futebol.
Nuno Sousa, editor de Desporto e editor-executivo do PÚBLICO, é o convidado deste episódio.
O El Niño é um fenómeno natural, frequente há cerca de cinco mil anos. A sua sobreposição a um planeta a escaldar aumenta a probabilidade de batermos recordes de temperatura global. E sabemos que muitos dos anos mais quentes coincidiram com El Niños de maior intensidade.
Previsões recentes indicam que o El Niño em desenvolvimento no oceano Pacífico tropical poderá ser dos mais fortes já registados e alertam para temperaturas globais recordes. Dados recentes mostram que partes do Pacífico aqueceram rapidamente, com a temperatura da superfície do mar até cerca de 0,5 graus Celsius acima do normal.
Fenómenos meteorológicos extremos, devido às alterações climáticas, em conjugação com os impactos crescentes do El Niño em desenvolvimento, poderão fazer com que ocorram, neste ano, incêndios globais e fenómenos meteorológicos sem precedentes.
Quanto a Portugal, podemos estar a salvo do fenómeno, mas não das alterações climáticas e de fogos de grandes dimensões.
Andrea Cunha Freitas, jornalista da secção do Azul, do PÚBLICO, e que assina na edição de hoje três artigos sobre o tema, é a convidada deste episódio.