Pedro Siza Vieira e Pedro Marques Lopes analisam os acontecimentos e os protagonistas da semana, com moderação de Paulo Baldaia. Quinze anos depois da estreia na TSF, os episódios passam a sair à quinta-feira, dia de Conselho de Ministros, no Expresso. A fechar, e como sempre, o bloco central de interesses, com sugestões para as coisas importantes da vida.
Episodios
À Direita começa com uma viagem a 2016, o ano zero da nova direita. A eleição de Donald Trump transformou o panorama político americano, abriu um horizonte de possibilidades para o nacional-populismo europeu, e pôs em causa décadas de consensos que se julgavam inabaláveis.
Neste primeiro episódio de À Direita, Vasco Rato e Teresa Nogueira Pinto conversam sobre a América, sobre declínio, contrarrevolução, a crise do liberalismo e o futuro da política americana. O ex-presidente da FLAD tem estado mais empenhado em compreender Trump e o Trumpismo do que em adjetivá-lo: o que é que Trump representa, o que veio fazer, e porque é que quem pensa que Trump é um interregno e tudo voltará ao que era está muito enganado.
Vasco Rato é doutorado pela Universidade de Georgetown e professor universitário. Foi presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento entre 2014 e 2019 e é autor de livros como “De Mao a Xi: O Ressurgimento da China” e “Tsunami: Trump, trumpismo e a Europa”.
Com o rodopio em que o planeta tem andado é muito provável que o ouvinte se tenha perdido algures nas guerras da Ucrânia e do Irão — que tem um cessar-fogo que traduzido quer dizer continuar a disparar, mas com menos frequência —, mais as guerras do Líbano e talvez pense até que na Faixa de Gaza e na Cisjordânia se passou a viver em paz, porque nunca mais se falou do assunto.
No entretanto, a crise energética que resulta do conflito no Médio Oriente fez subir a inflação e arrefecer a economia. Perante o dilema de ter de controlar a inflação, mas evitar um maior arrefecimento económico, o BCE já tinha avisado e subiu mesmo as taxas de juro.
O mundial do pontapé na bola começou na quinta-feira à noite, mas antes disso já a América estava a mostrar que, como organizadora do evento, não quer lá qualquer um. E qualquer um é um jornalista francês impedido de fazer escala no país do senhor Trump ou o melhor árbitro de África, nascido na Somália, e impedido de fazer o seu trabalho em terras do Tio Sam.
Por cá, numa altura em que há para aprovar a Prestação Social Única e o Código do Trabalho, Montenegro e Ventura voltaram a encontrar-se.
Está com o Bloco Central, um podcast onde Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira conversam sobre Portugal e o mundo, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho. A música do genérico é um original de Manuel Siza Vieira.
Num país onde a ambição tantas vezes soa excessiva ou desconfortável, este podcast propõe recuperá‑la como motor de mudança. Em 'Ambição para Portugal', Pedro Boucherie Mendes entrevista diferentes convidados com o objetivo de perceber o que significa hoje querer mais e melhor para Portugal. O primeiro episódio sai dia 16 de junho em todas as plataformas de podcast e também nos sites do Expresso, SIC e SIC Notícias.
Esta semana, a CGTP convocou uma nova greve-geral e os seus efeitos foram medidos como sendo de grande sucesso. Sucesso para os trabalhadores, na opinião dos sindicatos, pela grande adesão, ou de sucesso para o governo, pela pouca adesão. Dentro de duas semanas, a reforma laboral é discutida no Parlamento na generalidade, e no final do verão chegará a discussão na especialidade e a votação final global. Se houver uma maioria de direita para aprovar esta legislação, é provável que venha aí uma nova greve-geral conjunta entre CGTP e UGT.
No mundo, Portugal conseguiu uma grande vitória, voltando ao Conselho de Segurança da ONU. A questão que se coloca é a de saber quanto vale ter lugar num conselho importante de uma organização que tem cada vez menos importância.
Nas guerras, onde a diplomacia não funciona, são os drones que têm imposto algum equilíbrio entre as grandes potências que julgavam estar destinadas a ter grandes vitórias e os que vão ganhando só pela capacidade de resistir.
Está com o Bloco Central, um podcast que é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com Paulo Baldaia na moderação e sonoplastia de João Martins. O genérico é uma musica original de Manuel Siza Vieira.
No mês em que se celebraram 135 anos da encíclica de Leão XIII, Das Coisas Novas, que deu origem à doutrina social da Igreja, com o Vaticano a tomar partido pelos trabalhadores em plena revolução industrial e num momento em que o trabalho e o capital se enfrentavam, Leão XIV publicou a sua primeira encíclica, Magnífica Humanidade, num momento em que a revolução é tecnológica e a inteligência artificial ameaça dominar o mundo do trabalho, enquanto vai assumindo um papel fundamental nas guerras.
Por cá, a conferencia de Saúde do Expresso com o estudo da Nova IMS sobre sustentabilidade no SNS mostrou um sector com a actividade a crescer em média 1% por ano, enquanto que a despesa sobe 10%.
A Direita é maioritária no Parlamento, onde tem mais de dois terços dos deputados, mas há quem se sinta órfão e comece a pensar que a oferta não cobre a procura e sonhe com a criação de mais um partido. Epicentro deste terramoto político, Passos dá um passo maior que a perna e chama prostituto sem carácter a Montenegro.
Está com o Bloco Central, eu sou o Paulo Baldaia na moderação de uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com sonoplastia de João Luís Amorim, A música do genérico é um original de Manuel Siza Vieira.
Trump saiu como um balão cheio de Pequim, tantos foram os salamaleques que lhe dispensou o regime chinês. Agradecido com a promessa de Xi Jinping de não enviar armas para o Irão, ouviu como contrapartida o presidente da China avisá-lo para não se meter na questão de Taiwan e respondeu que não anda à procura de conflitos. Quem diria?
O Air Force One tinha aterrado há pouco tempo em Washington, e em Moscovo já se anunciava que também Putin ia a Pequim. Central em toda esta história, Xi nem precisa de sair de casa para mostrar que a sua diplomacia está a bater aos pontos a diplomacia norte-americana.
Por cá, a reboque da reforma do Estado, fala-se de milhões e de vistos, mais de um tribunal e de usurpação de funções. Enquanto isso, a reforma laboral correu veloz da falta de acordo na Concertação Social para a aprovação no Conselho de Ministros e daí para o Parlamento. Quem vai aprovar?
Satisfeito com o caminho percorrido, Montenegro vai fazer-se reeleger líder do PSD e continuar primeiro-ministro, fazendo a equiparação entre o Chega e o PS, aplicando aos dois partidos o “não é não”.
Está com o Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia. A sonoplastia é de Gustavo Carvalho e a música do genérico é de Manuel Siza Vieira.
Os dois homens mais poderosos do mundo encontram-se neste final de semana em Pequim, quase 10 anos depois de o terem feito pela primeira vez. As circunstâncias são muito diferentes e Xi Jinping - para usar uma expressão de Trump - tem melhores cartas na mão, porque os Estados Unidos se meteram numa guerra da qual não sabem como sair.
No Reino Unido, os trabalhistas sofreram uma pesada derrota nas eleições locais e regionais; os conservadores não ganharam nada com isso e o crescimento do Reform de Nigel Farage, dos Verdes e dos liberais mostram que a fragmentação político-partidária chegou a terras de sua magestade. Keir Starmer luta pela sua sobrevivência política.
Por cá, o Tribunal Constitucional voltou a decidir por unanimidade que a perda da nacionalidade como pena acessória de crimes graves é inconstitucional, designadamente por violar o principio da igualdade. Nada que tire o sono a André Ventura, disposto a mandar às malvas a Constituição para impor a maioria de dois terços que a direita tem neste momento no Parlamento. O PSD deixou-o a falar sozinho.
Esta é a semana em que ouvimos falar todos os dias do hantavirus, não porque exista razão para alarme, mas porque enquanto houve passageiros no barco, houve novela noticiosa nas televisões.
Está com o Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, moderada por Paulo Baldaia, com sonoplastia de João Luís Amorim e música original de Manuel Siza Vieira.
Esta semana, o Presidente Seguro imitou o Presidente Marcelo e promulgou com criticas uma lei que lhe chegou do Parlamento, no caso a lei da nacionalidade, anteriormente chumbada no Tribunal Constitucional e corrigida pela maioria de direita. Fecham esta quinta-feira as negociações as negociações na Concertação Social e tudo indica que o projecto governamental para alterar a legislação laboral acabará chumbado na Assembleia da República e “o país não acaba” por isso, garante o primeiro-ministro.
A maioria presidencial faz também caminho paralelo com a maioria governamental na área da Saúde, onde Adalberto Campos Fernandes, nomeado pelo Presidente coordenador do Pacto Estratégico, já começou a trabalhar.
No país em que o turismo é a galinha dos ovos de ouro, para lá da ameaça que paira sobre as companhias de aviação por causa do preço do jet fuel e da sua escassez, volta a haver problemas sérios no Centro Comercial Humberto Delgado, onde aterram e levantam aviões, mas onde os passageiros aguardam horas na fila, por causa de um novo sistema de controle, poucas cabines e forças de segurança com formação deficiente.
Lá por fora, o rei de Inglaterra, Carlos III, eclipsou o rei sol, Donald Trump, que vive um impasse na guerra em que afirma diariamente a sua superioridade, mas não é capaz de derrotar o seu inimigo.
Está com Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, moderada por Paulo Baldaia e com sonoplastia de João Luís Amorim. A música do genérico é de Manuel Siza Vieira.
Nos Estados Unidos existem mais armas que pessoas. O país que a 4 de julho celebra 250 anos da declaração de independência já matou quatro presidentes e nunca desiste de tentar matar quem estiver na função. Ainda não tinha um século de vida e resolveu um conflito político entre o norte e o sul com uma guerra civil que durou quatro anos e matou cerca de 700 mil pessoas. Do fim-de-semana vem mais um incidente com armas, num evento onde estava Donald Trump.
Por cá, nem violência retórica digna de registo. A comunicação social preferiu a grande polémica da transparência e, dos disparates esperados. De Ventura sobrou o cravo verde, que os deputados do Chega usaram na lapela, ignorantes do facto desse ser um símbolo gay, popularizado por Oscar Wilde, no final do século XIX.
Finalmente, o PTRR conheceu a luz do dia com um número mágico lançado pelo governo: 22 mil milhões de euros. Parece muito, será assim tanto? Como se vai concretizar este plano de resiliência num país que quase nunca está preparado para o que chega sem avisar?
Está com Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, moderada por Paulo Baldaia e com sonoplastia de Gustavo Carvalho. A música do genérico é de Manuel Siza Vieira.
Num momento em que o PS aparece à frente nas sondagens, em que José Luís Carneiro já é percepcionado como tendo capacidade de fazer melhor que Luís Montenegro o lugar de primeiro-ministro. Depois de elegerem o secretário-geral com 96,9% dos votos, os socialistas descobrem que, afinal, estes números não são a prova da unidade que o líder apregoa. Carneiro é visto como sendo de transição e já há Cordeiro a sonhar com a cadeira do líder.
O paradoxo estende-se à relação com o Presidente da República, ex-líder socialista, que tem vindo a pressionar a UGT para fechar acordo com o governo e assim ajudar o chefe do Estado a evitar ter de andar às turras com o chefe do governo, logo no início da coabitação. O problema é que toda esta vontade está a criar tensão com a sua família política.
O que não muda é a atracção das televisões por Ventura. Lula da Silva passou por cá e logo o Chega se lembrou de boicotar esta visita oficial. Sem nada de novo, nem de interessante, para dizer, Ventura teve o tempo de antena que procurava.
Tinha Luis Inácio Lula da Silva chegado a Portugal vindo de Espanha, onde Pedro Sanchez procurou criar um alinhamento de progressistas para combater o crescimento da extrema-direita. E para que a vergonha mude de lado.
Onde a vergonha não parece querer chegar é aos beligerantes da guerra para ver quem contribui mais para manter fechado o Estreito de Ormuz.
Está com o Bloco Central, um podcast que é o resultado de uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de João Luís Amorim. A música do genérico é de Manuel Siza Vieira.
Do fim-de-semana passado vêm as negociações falhadas para a paz no Médio Oriente e a decisão de completar o bloqueio no Estreito de Ormuz, ideia de Trump para não deixar o Irão beneficiar com o bloqueio parcial que vinha fazendo. Mas, o presidente norte-americano é um grande colecionador de polémicas e, como não gostou de ouvir o Papa, no domingo de Páscoa, defender a paz no Irão, atacou Leão XIV sem dó nem piedade.
Definitivamente, o fim-de-semana passado não foi bom para Donald Trump, derrotado nas eleições húngaras, juntamente com Vladimir Putin. Bruxelas respirou de alívio, mesmo sabendo que Péter Magyar, não sendo Orbán, também não é um alinhado com o mainstream europeu. O ainda primeiro-ministro da Hungria é agora uma estrela sem brilho no universo populista que via nele um exemplo a seguir, uma espécie de Trump antes de Trump.
Por cá, mais para a direita, menos para a esquerda, o país segue o seu caminho com votações para eleger os representantes da Assembleia nos órgãos externos, enquanto o pacote laboral não chega ao Parlamento para ser aprovado e enviado para Belém. Voltaremos mais tarde a estes temas nacionais, no episódio de hoje vamos apenas olhar para a decisão da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos de não permitir que se conheçam os nomes dos doares dos partidos.
Está com o Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho.
Há uma paz relativa no Médio Oriente que resulta de um acordo de cessar-fogo no Golfo e de uma ocupação continuada por parte de Israel no Líbano. Na realpolitik, para o resto do mundo, o que importa é que volta a ser possível circular pelo estreito de Ormuz. Trump dirá sempre que venceu, mas toda a gente sabe que as negociações de paz se fazem, a partir desta sexta-feira, com um plano com 10 pontos apresentado pelo Irão.
No domingo, os húngaros vão às urnas e existe uma possibilidade de Orbán ser derrotado ao fim de 16 anos consecutivos no poder. Estados Unidos, Rússia e China fazem o que podem para evitar a derrota do seu cavalo de Tróia na União Europeia, mais interessada na vitória de um dissidente do Fidesz, Peter Magyar.
Por cá, a primeira Presidência Aberta de António José Seguro teve de competir em atenção mediática com a geopolítica global, mas também com a geometria parlamentar numa novela de listas de nomes para a eleição dos órgãos externos.
Bloco Central é uma conversa entre o Pedro Marques Lopes e o Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho.
Com o Partido Socialista à procura de caminho, entre a agressividade de uma ruptura e a doçura do diálogo, falta saber se o PSD vai a jogo partilhando espaço com socialistas e Chega na lista pra o Tribunal Constitucional, ao mesmo tempo que volta a alinhar com Ventura na intenção de retirar a nacionalidade a quem a tenha duplamente e pratique crime grave.
Naturalmente, bem mais preocupados com a crise energética e o aumento do custo de vida, os portugueses, na celebração dos 50 anos da Constituição, revelam-se defensores de uma revisão da lei fundamental, mas sem exageros.
No Bloco Central também já temos um espaço reservado para o boletim clínico do planeta e do homem mais poderoso do planeta.
Este podcast é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho.
Com o congresso à porta, José Luis Carneiro foi à Venezuela, onde há uma comunidade portuguesa muito significativa. Em defesa dos luso-venezuelanos, alega o secretário-geral do PS, não faltaram elogios à normalidade que se vive no país. Aproveitou a direita para uma rajada de críticas a quem já estava na crista da onda pela ameaça de romper o diálogo com o governo, se a AD mantiver a intenção de excluir os socialistas da eleição para substituir três juizes do Tribunal Constitucional.
Tudo isto acontece, enquanto a direita — sem a IL — se junta para reverter legislação sobre a identidade de género. E o governo é avaliado negativamente por 56% dos portugueses, incluindo um em cada cinco que nele votaram. Todas as áreas estão mal avaliadas, mas a habitação e o custo de vida conseguem nota negativa de mais de 90% dos inquiridos.
Custo de vida que tem tendência para se agravar com uma crise energética que faz subir a inflação, a que se pode vir a juntar uma recessão económica.
Como vai Trump — e por arrasto o resto do mundo — sair desta guerra é uma pergunta para a qual ninguém tem resposta. Nem o próprio presidente dos Estados Unidos. A única certeza é que vários anúncios de Trump foram antecedidos por ganhos de muitos milhões nas casas de apostas, nas bolsas e nos mercados de futuro na área da energia.
Está com o Bloco Central, uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com Paulo Baldaia na moderação e Gustavo Carvalho na sonoplastia.
Trump age e o resto do mundo reage. Já tudo se disse sobre o homem mais poderoso do planeta e tudo continua a ser possível esperar de alguém que espera apenas que obedeçam à sua vontade. Não queria ninguém a meter-se na guerra que, com Israel a seu lado, ia ganhar facilmente num par de semanas, mas logo ameaçou os seus aliados europeus na NATO, mais o Japão, a Coreia do Sul e — pasme-se — a China, se não enviassem navios para patrulhar a navegação no estreito de Ormuz.
“Essa não é a nossa guerra”, responderam em uníssono os aliados, a quem nada tinha sido dito quando Trump e Netanyhau decidiram ir para a guerra no Irão.
A crise energética aí está, a afectar o andamento da economia e a fazer subir os preços não apenas dos combustíveis, mas de muitos outros produtos.
Por cá, não apenas, o Presidente da República não tem ainda formada a sua Casa Civil, como a Assembleia da República continua a mostrar-se incapaz de eleger os órgãos externos, como o Conselho Económico e Social, a Provedoria de Justiça, os conselhos superiores de Segurança Interna e de Informações, o Conselho de Estado ou o Conselho Geral da RTP.
Mas é na eleição de três juízes do Tribunal Constitucional que tudo se joga, porque Montenegro e Ventura querem pôr o Chega a indicar o juiz que vai substituir um juiz que tinha sido indicado pelo PS. Os outros dois tinham sido indicados pelo PSD e continuarão a ser indicados pelo PSD.
Está com o Bloco Central, uma conversa, entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, moderada por Paulo Baldaia com sonoplastia de Gustavo Carvalho.
Empossado Presidente da República, António José Seguro não perdeu tempo a dizer ao que vinha nem em ir para o terreno, apontando o dedo ao governo, pedindo mais acção e menos palavras.
No discurso da posse, reafirmou a tese de que o chumbo de um orçamento não implica dissolução automática do Parlamento, direcionando a pressão do peso pela responsabilidade de uma crise política das oposições para o governo.
Reafirmando igualmente a vontade de ser um Presidente cooperante, mas exigente, confirmou que pretende chamar ao Palácio de Belém os partidos e os profissionais da Saúde para que se estabeleça um pacto para o médio prazo no sector.
Para ele, que tinha avisado na campanha que vetaria a legislação laboral que lhe aparecesse em Belém sem acordo na Concertação Social, o governo reservou o dia da posse para convocar os parceiros sociais e nesse mesmo dia foi anunciado pelas confederações patronais que as negociações tinham chegado ao fim sem acordo. O Presidente não deu parte de fraco e insistiu para que a conversa continue.
Quando chega um Presidente, há outro que parte e nós por aqui vamos falar igualmente do legado que nos deixa Marcelo Rebelo de Sousa.
Está com o Bloco Central, um podcast que resulta de uma conversa, entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, moderada por Paulo Baldaia, com sonoplastia de Gustavo Carvalho.
As operações especiais para Trump devem ser sempre ao sábado e, de preferência, enquanto decorrem negociações e com ultimatos em contagem decrescente. Foi assim a 3 de janeiro, na Venezuela, e foi assim a 28 de fevereiro, no Irão. As comparações só acabam por aqui, porque as pessoas do regime iraniano em quem a Casa Branca estava a pensar para assumir o poder, como aconteceu na Venezuela, já não estão lá. Trump foi muito claro, quando lhe perguntaram sobre quem ia liderar o Irão quando a guerra terminasse: “A maioria das pessoas que tínhamos em mente estão mortas”. Para o regime iraniano, sobreviver já é uma grande vitória.
Quando a guerra vai terminar é coisa que ninguém sabe e a duração do conflito, juntamente com a capacidade do Irão retaliar e alargar a guerra a toda a região do golfo pérsico, serão determinantes para a evolução da economia global, com especial destaque para as economias da Europa e da China, mais dependentes de energia importada. De grosso modo, um quinto do petróleo e do gás natural passa pelo estreito de Ormuz.
Uma Europa dividida entre os que recusam colaborar com Trump nesta guerra sem mandato internacional, os que ficam a meio da ponte e os que apoiam. Sobram as ameaças do inquilino da Casa Branca a Espanha e sobra também, a despropósito no contexto deste conflito, o anúncio de Emmanuel Macron de que a França admite aumentar o número de ogivas nucleares e estacionar algum desse armamento noutros países da Europa, como factor de dissuasão perante a ameaça russa.
Está com o Bloco Central, a moderação da conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira é de Paulo Baldaia. A sonoplastia é de Gustavo Carvalho.
No final da semana passada, Trump sofreu às mãos do Supremo a mais pesada derrota e acabou a insultar os juízes que votaram pela ilegalidade das tarifas. Na madrugada desta quarta-feira, no mais longo discurso da história do Estado da União, o presidente republicano pintou a América great again: “maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca”, mas gastou 107 minutos a dividi-la pela raça, pelo género, pela ideologia partidária. Ao fim do primeiro ano do segundo mandato, Trump tem o pior índice de aprovação da história da União, para a mesma altura, com 39% positivo e 60% negativo. Sobre Renee Good e Alexi Pretti, mortos pelo ICE, ou sobre as sobreviventes do pesadelo Epstein nem uma palavra. Com mentiras, exageros e palhaçadas não trouxe nenhuma novidade digna de registo e transformou o momento num talk-show.
Na terça-feira, assinalaram-se os quatro anos da invasão da Ucrânia pelo exército russo, num momento de impasse na frente de guerra e nas negociações de paz.
Por cá, as atenções dividiram-se entre a escolha do ex-director nacional da Polícia Judiciária para ministro da Administração Interna e mais uma enfática intervenção do ex-líder do PSD, Pedro Passos Coelho, no papel de líder da oposição à escolha de Luís Montenegro para tutelar as polícias e a proteção civil.
O governo aprovou, na semana passada, as linhas gerais do PTRR e, depois de reunir com o presidente eleito para lhe dar conta do que pretende com este plano, está agora a conversar com os partidos da oposição para recolher propostas.
Está com o Bloco Central, um podcast que é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira, com moderação de Paulo Baldaia e sonoplastia de Gustavo Carvalho.
Trump continua a querer policiar o mundo, não pelas regras do direito internacional mas pelo que lhe dita a sua consciência. A Ucrânia, que podia ter a paz poucos dias depois dele regressar à Casa Branca, continua a ser pressionada por Washington de uma forma que Moscovo nunca foi. E a paz continua a ser uma miragem. Na conferência de Munique, a América, que trocou J.D. Vance por Marco Rubio, baixou o tom mas manteve a crítica a uma Europa em decadência e confirmou que o apoio a uma extrema-direita nacionalista na Europa é a agenda comum que une os interesses de Trump e de Putin.
Por cá, com um presidente eleito que criticou o ante-projecto “Trabalho XXI”, o governo parece andar à procura de quem lhe passe a certidão de óbito. O empenho é tanto que a ministra do Trabalho decide convocar patrões e UGT para uma reunião e manteve-a mesmo sabendo que, por motivos de agenda, a UGT não estaria presente. Veremos se cumpre a promessa de o levar ao Parlamento, mesmo sem acordo na Concertação Social, e se o Chega de Ventura recua para a posição inicial de apoio a esta revisão do Código Laboral. Se falhar a Concertação e o Parlamento, o mais que o governo consegue é arranjar uma desculpa, sem o ónus de ter de enfrentar o presidente logo no início do seu mandato.
O Bloco Central é uma conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira com moderação de Paulo Baldaia. A sonoplastia deste episódio é de Gustavo Carvalho.
Saímos das mais recentes eleições com um presidente eleito com o maior número de votos de sempre. Seguro, o candidato por quem tantos barões do PS têm o maior desdém, acabou a superar a marca de Soares. Esteve em campanha para unir os portugueses, prometendo o oposto de Ventura e os eleitores escolheram a democracia. Como na primeira volta aconteceu com a esquerda, com o eleitoral a ignorar os directórios partidários e a dar o pleno de votos a Seguro, agora, na segunda volta, foi o eleitorado de centro-direita que mandou às favas a estratégia de quem se colocou em cima da ponte, julgando possível manter a equidistância entre quem une e quem divide. Vida facilitada para o presidente eleito que não fica a dever a ninguém, a não ser a todos os que nele votaram, esta eleição.
Ventura foi pesadamente derrotado e a cara com que apareceu na noite eleitoral desmentia qualquer grito de vitória, qualquer ideia de liderança de direita. Mas Montenegro sabe que o líder do Chega, ficando longe do que pretendia, saiu fortalecido com mais 400 mil votos. Há caminho para percorrer, primeiro-ministro e presidente eleito querem estabilidade. Veremos o que o poder político faz com ela.
Está com o Bloco Central, onde a opinião que conta é de Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira. A moderação da conversa é de Paulo Baldaia, a sonoplastia é de João Luís Amorim.